A partir de hoje vou começar a publicar a SERVO, uma história minha e do Tio! Toda sexta feira, um capítulo novo! =]

É uma história cheia de referências a muitas coisas que eu explico depois!

Espero que gostem!


PRÓLOGO: O MERCENÁRIO



Era madrugada na Capital e chovia muito forte. Um rapaz de cabelos negros e olhos azuis, vestindo uma roupa escura, armado com uma espada exótica com duas laminas conhecida como “espada bumerangue” corria pela cidade, obstinado a cumprir o seu objetivo. Mesmo tendo tomado sua decisão, as suas memórias ainda ecoavam pela sua mente:
-Sirius, meu filho, já disse para você! É arriscado lutar contra ele!
-Eu já tomei minha decisão, meu pai. Não posso permitir que um demônio disfarçado de humano fique a solta pela Capital.
-Mas eu já lhe disse! Deixe que um exorcista cuide disso, afinal você nem é batizado!Você corre um grande risco de ser dominado pelo demônio se você tentar detê-lo!
-É um risco que devo correr meu pai. Você mesmo me ensinou através dessas escrituras da Asha que demônios não podem conviver com humanos no mesmo lugar. Então por isso mesmo acabarei com ele pessoalmente. Afinal, se humanos não podem conviver com demônios, você acha q ele pode me dominar? Nenhum demônio fez isso até hoje! Como eu posso acreditar nisso?
-Você é um tolo! Nunca quis seguir a nossa religião! Por que vem agora falando das escrituras se nunca as seguiu? Você escolheu essa vida de mercenário, vagando por aí sem rumo, fazendo tudo por dinheiro. É por uma recompensa que você vai até a Capital, não é?
Sirius virou a cabeça e fez silencio.
-O prefeito da Capital foi morto por ele. Estão oferecendo uma grande quantia em dinheiro pela sua cabeça.
-Foi o que eu pensei. Então vá! Cumpra o seu dever e ganhe o seu dinheiro sujo. Afinal é a vida que você escolheu e eu não posso mandar em você. Mas lembre-se que o Templo do Sudoeste estará sempre de portas abertas para acolhê-lo caso algum dia você decidir seguir o mesmo caminho que o meu.
-Se esse for o meu destino, pode ter certeza que eu voltarei aqui meu pai. Alguém tem de trazer a harmonia para o mundo de novo. Alguém que não é nem Servo nem Asha, ou que seja os dois, como dizem as escrituras, logo, esse alguém pode ser eu! –disse Sirius lembrando de tudo o que seu pai, um sacerdote da religião Asha o disse antes dele partir para essa missão.
Correndo ainda na chuva, foi surpreendido por uma voz conhecida o chamando. Ele olhou para trás e tentou ver quem se aproximava. Era um rapaz que aparentava ter a mesma idade que Sirius. Era alto e forte, vestindo um sobre tudo branco e um chapéu da mesma cor e de cabelos cumpridos negros. Possuía uma lança enorme, de três pontas afiadas. Ele era seu amigo de infância, o exorcista Aldebaran.
-Por que você não me avisou que vinha para cá? –disse o exorcista.
-Porque você certamente iria me impedir, assim como meu pai tentou. Eu já disse isso é assunto meu, não quero que ninguém me atrapalhe.
-Seu idiota! Você não se lembra que desde pequenos a gente jurou sempre lutar juntos, e um ajudaria o outro em qualquer situação? Não custava nada ter me chamado para vir com você. Mas você é teimoso! Insiste em querer se arriscar indo de cabeça nessas coisas!
-Eu já disse, isso é assunto meu. Eu agradeço a sua preocupação em querer me ajudar, mas acho melhor você ir embora se não quiser se machucar.
-É meu dever como seguidor da Asha exorcizar os demônios. Mesmo que você despreze a minha ajuda, eu acompanharei você, seu cabeça dura!
-Faça o que achar melhor então.
E os dois seguiram correndo pelas ruas da Capital. Dentro de pouco tempo, foram surpreendido por um vulto que surgiu rapidamente caindo do céu . No mesmo instante Sirius e Aldebaran pararam, ofegantes e um tanto assustados, tentando reconhecer com um pouco de dificuldade quem era a pessoa que estava a alguns passos a sua frente. O vulto se transformou vagarosamente num homem alto, de barba e cabelos acinzentados cumpridos, de olhos negros com as pupilas amareladas que brilhavam intensamente. Ele carregava uma imensa espada de lamina negra.
-Não precisam mais correr. É a mim que vocês querem. Por isso apareço aqui diante dos seus olhos.
-Então é você a quem chamam de Orion Prime, príncipe dos demônios –disse Aldebaran –Foi você quem matou o prefeito da Capital, não foi?
-Vejo que minha curta passagem pelo seu mundo já me rendeu certa fama. Sim, sou eu, Orion Prime. Fui encarregado de ajudar meu criador a cumprir com o seu objetivo que é fazer do seu mundo um lugar dominado por demônios. E, para isso, vocês vermes humanos têm de servir para alguma coisa você não acha? Preciso extrair o máximo de suas energias vitais para fortalecer meu criador, para que ele possa sair do inferno. E não serão vocês que me impedirão de cumprir esse objetivo!
-Eu não vim aqui para conversar, demônio. Esteja preparado para voltar pro lugar de onde veio! –disse Sirius correndo em direção de Orion Prime.
Os três começaram a lutar arduamente. Sirius não parava de atacar o demônio, que nada podia fazer, a não ser se esquivar e se defender. Orion Prime foi ferido levemente no braço esquerdo por Aldebaran, o que fez o demônio recuar e com um grande salto fora do comum, foi parar no alto de um edifício.
Aldebaran e Sirius o seguiram até lá e reiniciaram o combate. Orion Prime atacou Aldebaran que caiu no chão ferido.
-Isso que vocês chamam de exorcista? Eu mal o ataquei e ele já está caído no chão. Por que não encaminharam alguém mais competente no lugar desse verme? –disse o demônio dando gargalhadas.
-Você fala demais seu idiota! –disse Sirius revoltado –vou te mostrar quem é competente para matá-lo agora!
Sirius começou a lutar desesperadamente, com movimentos muito rápidos, fazendo Orion Prime se perder um pouco, ganhando uma outra ferida, dessa vez gravemente. Ele já estava na beira do teto do edifício, quando disse a Sirius:
-Você pode até me matar agora, mercenário. Mas meu espírito o seguirá para o resto de sua vida. E lembre-se que minha semente já está plantada no seu mundo, no corpo de uma humana. Aquele que tem meu sangue um dia virá e continuará a minha missão.
Sirius jogou a espada bumerangue em direção ao corpo de Orion Prime, que o decapitou, fazendo-o soltar sua espada no chão e, após um passo para trás, seu corpo caiu do edifício.
-Você conseguiu, amigo. –disse Aldebaran, levantando-se com dificuldade –Mas temo que o que ele disse seja verdade. Não acredito que ele seja o único demônio disfarçado de humano existente aqui.
-Eu sei. Mas quando ele vier, estarei pronto novamente. Vamos embora agora, pois minha missão está cumprida e temos que cuidar de seu ferimento.
Subitamente, um vulto apareceu por detrás de Sirius. Ele caiu no chão e começou a se contorcer. Aldebaran desesperadamente começou a rezar, pois sabia que ele havia sido dominado pelo espírito de Orion Prime.
-Oh, não! Eu temia que isso acontecesse! Não pode ser! Não deixe que ele fique dentro de você! Guardiões dos templos antigos, eu lhes suplico! Ajudem o demônio a se afastar do meu amigo!
Após um ligeiro desmaio, Sirius levantou-se. Tornou-se sério de repente, curvando a cabeça para baixo, mas com os olhos fixos em direção do seu amigo. Seus olhos, que antes eram azuis, agora eram vermelhos e ardiam como fogo.
Com a voz alterada disse a Aldebaran:
-Suas rezas de nada adiantam contra mim. Meu criador me tornou imune a esses seus gestos inúteis. Saia do meu caminho, ou terá que enfrentar seu próprio amigo.
-Você não vai conseguir fazer isso, demônio! Eu juro que livrarei Sirius de seu domínio, nem que isso custe a minha própria vida!
Aldebaran investiu em um ataque que foi em vão, pois Sirius munido de sua espada e da espada do demônio, desferiu um golpe absurdamente poderoso o suficiente para fazer o exorcista voar pelos ares. A chuva cessou e Sirius deu um salto, transformando-se num vulto negro, dissipando-se no ar.
Orion Prime havia criado uma seita demoníaca chamada Servo, onde os humanos eram influenciados a participarem entregando suas energias vitais para seu criador em troca dos seus desejos materiais se tornarem realidade. A sede da Servo ficava em um casarão abandonado, no centro da Capital.
Na noite seguinte dos acontecimentos, os seguidores da Servo se reuniram no salão do casarão, esperando que seu líder, Orion Prime, chegasse para dar inicio aos rituais que faziam todos os dias.
Os “servos”, como costumavam se chamar entre eles, eram poucos, não passavam de quinze pessoas. E todos eles vestiam-se de preto, mas não possuíam um uniforme.
Enfim, após esperarem uma hora após o horário marcado de todos os dias, finalmente puderam ver seu líder chegar pela porta principal. Estava tudo escuro e somente algumas velas foram acesas para iluminarem o local. Mas havia algo errado. Aquele não era o mestre que eles conheciam, de pele pálida, que aparentava ter uns trinta e poucos anos, que andava elegantemente e possuía uma expressão fria e um ar de superioridade. Era na verdade um rapaz moreno, de cabelos espetados, todo sujo, vestindo roupas surradas e caminhava com uma expressão assustadora em seu rosto, como se estivesse com raiva de algo ou alguém. Mas o que mais chamou atenção nos servos, foi o estranho fato do rapaz carregar consigo, além de uma espada com duas lâminas, a espada de lamina negra que pertencia a Orion Prime.
Um rapaz alto, de cabelos bastante compridos e lisos se aproximou sacando uma espada e apontando-a em direção do suposto desconhecido.
-Quem é você? Você está com a espada de meu mestre. O que você fez a ele? Vamos, responda!
-Meu caro Antares...-disse o rapaz, deixando todos atônitos.
Ele se aproximou e baixou a espada de Antares, fazendo com que ele ficasse praticamente imóvel e assustado.
-Não reconhece quem está perante a você? Sou eu, o seu mestre. O único que pode carregar essa espada negra! Orion Prime está morto fisicamente, mas seu espírito não. Ele agora controla esse corpo o qual vocês vêem agora.
-Nosso mestre? Morto? Eu não posso acreditar! –disse Antares, perplexo com a revelação –mas eu sinto em você a presença dele!
O rapaz deu um passo a sua frente, em direção dos seguidores e começou a discursar:
-Permitam-me que eu explique a situação. Esse corpo pertencia a um filho renegado de um sacerdote, um mercenário que sempre viveu livre de crenças, vagando por entre as cidades a procura de dinheiro. Um dia, ele soube que a minha cabeça estava a premio, pois me acusaram injustamente de ter matado o prefeito da Capital.
Antares sabia que na verdade era Orion Prime mesmo que tinha assassinado o prefeito, mas não se manifestou. Continuou ouvindo atentamente a explicação do rapaz, que dizia tudo o que ocorreu entre Orion Prime e Sirius.
-Por isso que vocês não me vêem mais como eu era antes. E essa espada negra é a prova do que eu lhes digo.
Ele ergueu a espada e todos a olharam. Um dos seguidores se manifestou para fazer uma pergunta:
-Mas qual era o nome do homem que te matou, mestre? Esse rapaz, cujo corpo você possui agora?
-Seu nome era Sirius. E é assim que vocês deverão me chamar de agora em diante, pois não quero que apareçam mais pessoas querendo me matar para ganhar dinheiro como fez esse homem. A partir de agora eu sou o Mestre Sirius, líder da Servo!
Mesmo estando perante um total desconhecido, os seguidores curvaram-se diante de Sirius, pois sentiam a presença de Orion Prime nele. Porém, Antares foi o único que não se curvou diante dele, pois alem de assustado com os acontecimentos, estava achando toda aquela historia muito estranha.
Antares era um rapaz nascido de uma família de classe media da cidade do norte. Sempre sonhou em possuir riquezas que nunca podia ter e desde cedo revelou ser uma pessoa ambiciosa e gananciosa. Certo dia ele estava num bar em sua cidade natal, quando Orion Prime se aproximou dele, dizendo que havia criado uma seita demoníaca onde tudo o que ele desejasse seria realizado, em troca de suas “orações” ao seu criador, mas ele precisava de membros e viu que ele tinha potencial para ser seu assistente. Antares achou aquilo tudo uma besteira e não deu ouvidos a ele. Percebendo o desprezo do rapaz, o antigo líder dos servos tirou uma moeda de prata do bolso e subitamente fez ela se transformar em ouro, demonstrando de modo simples o que ele era capaz de fazer.
O rapaz, admirado com o gesto mágico do senhor de cabelos acinzentados e decidiu saber mais sobre essa seita de que ele havia falado. Dentre alguns dias, Antares mudou-se para a capital e junto a Orion Prime fez erguer a seita, enriquecendo facilmente e agregando alguns dos seguidores que estavam ali presente naquela reunião.
Mas, mesmo com o desconhecido no poder, Antares resolveu segui-lo e obedecer-lho de qualquer forma, mas já tinha planos maiores em sua mente, querendo ter cada vez mais poder dentro da seita.
Enquanto Antares pensava, Sirius estava inquieto, andando de um lado para o outro, falando tudo o que pensava fazer para cumprir seus objetivos com a Servo:
-Precisamos crescer. Precisamos erguer esse local, agregando novos membros. Quanto mais pessoas houver nesse local, mais forte será a energia emanada aqui, portanto mais rápido os seus desejos serão realizados. Não deixem que fiquemos em segredo com a nossa seita. Espalhem por ai, para seus familiares e amigos. Estamos aqui para vermos nossos sonhos tornados realidade.
Um dos servos, uma mulher, que estava atentamente ouvindo as palavras de Sirius o interrompeu:
-Mas há a religião Asha. Estamos em segredo ainda, mas assim que nos descobrirem, irão nos investigar e poderão até desfazer a nossa seita se eles souberem que não seguimos suas escrituras e seus ensinamentos.
-Ora, minha cara irmã... Eu repito, quanto mais pessoas houver na nossa seita, mais ela se fortalecerá, e não será nenhuma religião que irá nos desfazer.
E então, Sirius deu inicio aos rituais da seita, exatamente como Orion Prime sempre fez. Notando que Antares estava distraído, perguntou em voz baixa:
-Você não irá participar do ritual de hoje, Antares? Desconfia ainda que eu seja seu mestre?
-De maneira alguma, Orion... digo, Sirius! Apenas estou com um pouco de dor de cabeça. Vou para um dos quartos meditar sozinho.
- Faça o que achar melhor então.
Antares pegou um castiçal e subiu as escadarias do casarão, onde se situavam os aposentos. Ele entrou num quarto que se localizava no final do corredor, que estava todo sujo e empoeirado, mas era um dos únicos lugares da casa onde ele podia ficar só.
Ao sentar na cama, ele fechou seus olhos e começou a ouvir vozes que ecoavam na sua mente. Não era a primeira vez que ele as ouvia, por isso não ficou assustado.
-Vejo que não gostou nada do que viu, não é Antares?
-É você novamente não é? Por que não aparece diante de mim?
-Ora, tenha paciência! No momento certo eu aparecerei. Mas fique calmo, pois eu sei de tudo o que se passa na sua mente e eu posso te ajudar.
-Pois então, se você sabe me diga, o que se passa na minha mente?
A voz pausou por alguns instantes, e logo voltou a dizer:
-Você almeja o lugar daquele que se diz seu líder agora. Quer se tornar rico com a Servo, dominando a cidade inteira e talvez o mundo. Não é isso?
Antares ficou em silencio.
-O silencio diz tudo não é? Mas tudo bem, como eu disse, eu irei te ajudar.
-Como você pode me ajudar? Como confiarei em alguém que nunca vi, mas sabe dos meus segredos?
-Você logo me verá. E verá seus sonhos se realizarem em pouco tempo! Tudo o que você deve fazer é ser um bom servo agora! Deve-se fortalecer aos poucos, para estar preparado na hora de liderar um exercito de servos!
-Um exército de servos?
-Sim, exatamente. Já imaginou você no comando de centenas de seguidores? Já pensou o quanto você pode ganhar com isso? Mas você não pode se rebelar agora contra ele, pois ele é muito mais forte do que você. Eu o indicarei o momento certo quando eu achar que você estará pronto para cumprir o seu destino.
Antares queria mesmo tomar o lugar de seu mestre, mas tinha medo de enfrentá-lo. Porém a voz o encorajou a seguir seus objetivos.
-Eu seguirei seus conselhos. Esperarei ansiosamente por esse momento!
A voz parou de se manifestar. Antares resolveu voltar ao salão principal e continuar os rituais junto com os demais. Mas, ao levantar-se da cama, notou que próximo a parede a sua direita havia um baú. Ele o abriu e a primeira coisa que ele viu e que lhe chamou a atenção foi uma mascara branca com um desenho que se assemelhava a silhueta de um escorpião. Ele a pegou, reparou em cada detalhe da mesma e em seguida, cuidadosamente a colocou de volta no baú e saiu pelo corredor em direção às escadarias.



1 comentários:

.tio. disse...

ahahah cara! qnto tempo q num leio isso... essa história é imensa e sem fim (tem fim pelo menos nas nossas cabeças) e estava guardada na gaveta devido aos nossos compromissos e agora esta revivendo (espero!). enfim, se alguem quiser saber as principais referencias sobre essa história, é só olhar para o céu a noite =]

arroxo!