Hoje é Sexta-Feira, dia de: SERVO! \o/

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2. O HÍBRIDO


Era à noite. Polaris andou pelos longos corredores do templo, até chegar numa porta onde era coberto por uma cortina vermelha. Atrás dela havia um salão em formato circular enorme, com um homem já idoso vestido de azul e vermelho, com uma coroa na cabeça. Era o sumo sacerdote do templo, o Reverendo Hatsya. Ela era a única pessoa além dos sacerdotes que tinha autorização para falar com ele pessoalmente.
-Reverendo Hatsya, com sua licença –disse Polaris, curvando-se.
-Aproxime-se minha filha. O que deseja?
-Hoje eu saí do templo sem a autorização do meu tutor, o sacerdote Rigel...
-E por que você fez isso? –disse ele, se levantando.
-Eu não agüentava mais ficar presa aqui no templo sem poder sair. Rigel e os outros sacerdotes têm um cuidado excessivo comigo e esse é um dos motivos de eu ter vindo até aqui. Quero que me fale o porquê de vocês me protegerem tanto.
-Minha filha, no momento certo você saberá. Há coisas que devem ser mantidas em segredo por nos seguidores da Asha.
-Pois bem, e então o que vocês seguidores da Asha pretendem fazer a respeito dos demônios que estão lá fora?
-Demônios? Do que está falando? –Assustou-se Hatsya
-Um rapaz me salvou do ataque de um demônio hoje. O seu nome é Orion, ele é um ex-membro da Servo e eu o trouxe aqui no templo.
-Eu não posso acreditar! Um ex-membro da Servo te salvou de um demônio? Isso não faz sentido! Então quer dizer que os demônios estão se proliferando na cidade! O que eu temia aconteceu! E esse rapaz não pode ficar aqui, você sabe que temos regras!
-Mas ele me salvou! Ele matou o demônio! Mesmo que ele já foi da Servo, eu acredito que ele não seja mal. E por causa do incêndio provocado por vocês, ele perdeu a casa onde vivia. O mínimo que eu podia fazer para agradecê-lo por ter me salvo era trazê-lo até aqui, pelo menos para comer e dormir por uma noite.
-Essa historia está muito intrigante. Traga-o para jantar conosco. Quero conversar com ele.
-Sim, reverendo. Eu o farei.
Ela despediu-se do sumo sacerdote e alguns minutos depois foi até os aposentos chamar Orion para jantar. Enquanto isso, Orion estava em um dos quartos, sentado na cama, observando um livro que achara na cabeceira da cama. Era um livro de tamanho médio, de capa azul com letras em dourado. Estava escrito somente “Asha”. A curiosidade fez com que ele pegasse o livro e folheasse algumas páginas, e ele percebeu que todas elas tinham algumas estrofes com quatro versos, sendo que algumas frases rimavam. Uma das estrofes que mais lhe chamou a atenção estava escrito:

De tempos em tempos, o rei vermelho tentará surgir.
Sem questionar, muitos o seguirão.
Ele irá se alimentar de sonhos.
E virá ao mundo guiado pelo escorpião.

-Orion, venha comigo! Vamos jantar! –disse Polaris ao entrar no seu quarto - Eu quero lhe apresentar para o sumo sacerdote, o Reverendo Hatsya.
-Eu quero ficar aqui sozinho. Tragam-me a comida até aqui.
-Vamos, deixa de ser assim! Ele é uma boa pessoa e quer conhecer você!
O rapaz, vendo que não adiantava insistir e também por causa de sua fome, resolveu segui-la sem questionar.
Chegando no salão de jantar, Orion ficou impressionado com o tamanho da mesa a qual estavam sentados todos os sacerdotes e um homem que se vestia diferente dos demais, que era o sumo sacerdote. Rigel era o único sacerdote que estava de pé. Orion não acreditava na quantidade de comida que havia na sua frente.
-Reverendo Hatsya. Esse é Orion, o rapaz que me salvou.
-Olá Orion, sente-se por favor.
Rigel puxou uma cadeira vazia próxima a Hatsya, e pediu para que Orion sentasse. Ele sentou-se e vendo o seu prato cheio de comida, começou a degustar tudo desesperadamente, deixando todos atônitos.
-Perdoe-o, reverendo. Ele deve estar com muita fome –disse Rigel, desconsertado.
-Tudo bem, eu entendo. Orion eu queria fazer algumas perguntas a você, se você não se incomodar é claro.
-Pode falar! –disse ele com a boca cheia de comida.
-Quantos anos você tem?
-Vinte e três.
-Certo.Polaris disse que você era da Servo. É verdade isso?
-Sim, por quê?
-Você sabe que é uma seita demoníaca, não sabe?
-Nunca me falaram disso. Pelo que sei, quem entrasse nela, teria que fazer rituais para conseguir o que queria.
-Como você entrou na Servo?
-Sirius me adotou. E ele cuidou de mim até eu crescer.
-O líder Sirius... mas você também participava desses rituais?
-De vez em quando. Não gostava muito disso.
-Entendo. E sobre o demônio que você exterminou hoje, o que sabe sobre ele?
-Nada. Eu só estranhei por ele ter um símbolo igual ao da máscara...
-Máscara? Do que você está falando, rapaz?
-O homem que matou Sirius. Vestia uma máscara.
-Então seu pai foi assassinado, Orion? –perguntou Polaris, espantada.
-Sim. Foi quando houve o incêndio.
-Você pode nos contar mais sobre isso?
Ele olhou para Polaris que acabara de fazer essa pergunta, olhou para o sumo sacerdote que estava com uma expressão questionadora em seu rosto e começou a se lembrar da cena que presenciou na noite anterior.
Orion despertou em sua cama, onde começou a tossir por causa da fumaça.. Olhou em volta e viu que seu quarto que estava em chamas. Vestiu-se o mais rápido que pôde e foi atrás de Sirius. No corredor dos quartos, haviam estendidos no chão corpos cobertos por chamas e cadáveres de pessoas mortas por asfixia. Ele desviou de todos eles e desceu as escadas. O casarão estava desmoronando em meio as chamas e Orion não parava de tossir, mas sentia-se na obrigação de correr atrás de seu mestre.
Chegando no salão principal onde se realizavam os rituais, Orion avistou Sirius, ferido, empunhando sua espada bumerangue lutando fervorosamente contra um homem cabeludo, vestindo uma mascara branca com detalhes vermelhos e roupas brancas, com duas espadas, uma em cada mão.
-Sirius! Venha, vamos embora daqui! O casarão irá se desmoronar!
-Orion! Fuja! Você tem que viver!
-Eu não sairei daqui sem você!
Ele tentou se aproximar, mas logo o homem mascarado tentou o atacar. Esquivando-se de todas as investidas dele, Orion pôde alcançar a espada negra de Sirius, que estava em uma espécie de altar. Ele tropeçou, mas foi o tempo suficiente de pegar a espada e se defender de um possível ataque mortal do homem de branco. Nesse momento, Sirius deu um salto em direção ao mascarado, que o fez cair no chão, largando uma de suas espadas.
-Orion, fuja daqui! Rápido! Eu já disse, você tem que viver!
O rapaz ficou imóvel, vendo o mascarado se aproximar de Sirius, já quase sem forças. Num ultimo ato de desespero, Sirius avançou com sua espada empunhada, mas o homem de branco foi mais rápido e lhe cortou a barriga.
Orion ficou chocado e não demonstrou sentimento algum ao ver seu pai e mestre ser morto tão friamente por um desconhecido. Vendo que ele começava a se aproximar, o rapaz correu com a espada negra até a saída, na porta da frente do casarão, onde foi seguido pelo homem mascarado.
Todos no salão de jantar escutavam atentamente a historia de Orion, e surpreenderam-se ao ver que ele não demonstrava nenhuma reação ao falar da morte do líder da Servo que acontecera na noite anterior.
-E então eu fugi do casarão. Dormi na rua na noite passada até que hoje de manhã eu acordei e salvei Polaris do demônio.
-É uma historia muito triste e surpreendente –disse Hatsya.
- Sim, mas isso já é passado. Tudo o que quero agora é encontrar novamente aquele homem mascarado e fazê-lo pagar pelo que ele fez.
-Vingança não é algo que lha vá fazer bem Orion. Você precisa recomeçar sua vida agora e esquecer desses sentimentos ruins.
-Isso é impossível! –disse o rapaz, retirando-se da mesa e andando até a saída.
-Orion, volte aqui! O Reverendo ainda não terminou de falar –disse Polaris, levantando de seu lugar e seguindo-o.
-Deixe-o ir, minha filha. Ele deve estar atordoado com esses acontecimentos e por isso ele precisa ficar só um pouco. Agora eu preciso que você venha comigo até a sala do trono. Preciso lhe mostrar uma coisa. E vocês sacerdotes, limpem a mesa.
Os sacerdotes o obedeceram e começaram a retirar os pratos, talheres e os copos da mesa.
Na sala do trono, Polaris aguardava enquanto Rigel trazia um pequeno baú até as mãos de Hatsya.
-Veja, menina. Esses são artefatos antigos da Asha.
Ele abriu o baú, onde estavam dois braceletes dourados com três orifícios na parte de cima de cada um deles.
-O que é isso, reverendo? Para que servem esses braceletes?
-Chegou a hora de você seguir o seu destino, Polaris. Você descobrirá, aos poucos, todas as respostas para as suas perguntas. O primeiro passo é vestir esses braceletes.
-Se eu terei minhas respostas com isso, então o farei –disse ela vestindo os braceletes.
-Rigel, peço que você se comunique com o templo da Cidade do Oeste. Peça para que mandem um caçador de demônios para vir amanha me encontrar.
-Sim reverendo, seu desejo é uma ordem –disse o tutor de Polaris.
-Reverendo, eu não estou entendendo. Aonde você quer chegar com tudo isso?
-Minha filha, sua jornada começará em breve. Você terá que passar pelas cinco cidades e visitar seus cinco templos. Em cada um deles você aprenderá mais sobre você mesma e seu destino.
-Eu não estou entendendo. E por que mandou chamar um caçador de demônios? Eu não sabia que existiam! Para mim só existiam exorcistas!
-Esse demônio que você viu hoje, não é o primeiro que temos conhecimento. Apareceram vários deles nas cidades vizinhas e alguns exorcistas tiveram que aprender a não só lutar contra espíritos, mas também com demônios de carne e osso. Por isso eu o chamei. Você não sabe que perigos você irá encontrar a sua frente. É melhor ter um guarda-costas.
-Mas eu vi o Orion lutar contra o demônio! Eu não preciso de um caçador profissional. Deixe o Orion vir comigo, reverendo! Eu confio nele.
-Eu não confio, menina. Ele já foi da Servo e não sabemos das suas reais intenções.
-Mas, Reverendo...
-Sem mais, Polaris. Já está decidido. E prepare-se, pois amanhã será a grande festa anual para comemorar o dia dos guardiões. Deve dormir agora para acordar cedo!
-Está bem, irei me retirar agora. Com sua licença.
Polaris estava muito confusa por tudo o que Hatsya havia dito, mas sentia que o único meio de conseguir suas respostas era obedecendo ao reverendo.
Antes de dormir, ela passou no quarto de Orion mais uma vez para desejar-lhe uma boa noite. Ele não lhe deu muita atenção, pois estava novamente lendo o livro da Asha:

Os cinco guardiões do céu e da terra
Irão escolher um anjo para purificar
O hibrido de humano com demônio
E o todo o mal irá se acabar

-Um híbrido de humano com demônio... –disse Orion, ao fechar o livro.

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